

23, 24, 26 e 27
de Fevereiro
Horário: das 19h às 21h
Modalidade: online
DIVERSIDADE ?
PODE UM PSICANALISTA SER CONTRA A
Percursos possíveis na construção de escutas implicadas
Apresentação
Pode um psicanalista ser contra a diversidade? Essa pergunta, aparentemente paradoxal, atravessa de modo incisivo a clínica contemporânea. Em nome de uma suposta neutralidade técnica, de uma fidelidade abstrata à teoria ou de uma leitura despolitizada do inconsciente, práticas clínicas seguem, não raramente, reproduzindo violências simbólicas, silenciamentos e exclusões dirigidas, especialmente, a corpos, modos de vida e experiências historicamente subalternizados.
Nestes quatro encontros, propõe-se um percurso crítico e clínico que interroga, com a devida seriedade, como se produz uma escuta dita “implicada”, “situada” e “advertida”, expressões que circulam com notável desenvoltura no vocabulário psicanalítico contemporâneo e que, por vezes, são manuseadas de forma banal, sob o manto de uma suposta neutralidade ética. Em muitos casos, “implicado”, “situado” e “advertido” funcionam menos como posição ética e mais como disfarce retórico: um recurso para vestir a clínica com aparência de desconstruída, enquanto se mantém intacta a estrutura de moralização e patologização.
Ao longo do curso, serão abordados os impasses produzidos quando conceitos psicanalíticos são mobilizados como dogmas e quando o “não saber” é confundido com desresponsabilização diante das desigualdades que atravessam a cena clínica. O trajeto proposto articula tradição, ética, cultura e cuidado, convidando o(a)(e) participante aconstruir, em conjunto, caminhos possíveis para uma escuta capaz de reconhecer seus limites, suas resistências e suas implicações ético-políticas no encontro com sujeitos historicamente vulnerabilizados.
Cronograma
A Herança Maldita e o Potencial Subversivo
Este encontro propõe uma leitura crítica da tradição psicanalítica, examinando como certas formulações, quando tomadas de modo literal e normativo, podem operar como barreiras à escuta das diversidades. Discute-se a diferença entre teoria como instrumento clínico e teoria como dispositivo de exclusão, interrogando os efeitos éticos e políticos de interpretações que naturalizam hierarquias de gênero, sexualidade e modos de vida. Ao mesmo tempo, busca-se recuperar o potencial subversivo da psicanálise.
Primeiro encontro - 23 de Fevereiro das 19h às 21h
Ementa
Este encontro retoma um princípio ético central da psicanálise: a posição de “não saber” como condição para não capturar o sujeito em interpretações apressadas, diagnósticos moralizantes ou certezas normativas. No entanto, o professor convidará o grupo a pensar uma inflexão decisiva diante das urgências contemporâneas: há um ponto em que o “não saber” pode se tornar álibi para a ignorância e a ignorância, por sua vez, pode produzir violência clínica. Nesse sentido, o encontro propõe refletir sobre a urgência de “saber um pouco”, compreendendo o letramento interseccional como condição para uma escuta ética e responsável.
Segundo encontro – 24 de fevereiro das 19h às 21h
Saber Para Não Supor: O Letramento Interseccional Como Condição Para O “Não-Saber” Ético
Ementa
Este encontro investiga a cena analítica como um campo atravessado por múltiplas forças: a transferência, como endereçamento afetivo do paciente ao analista; a contratransferência, como resposta afetiva e simbólica do analista; e o que o professor chama de interferência, isto é, a presença inevitável do mundo social e cultural no setting. A proposta é discutir como esses atravessamentos incidem sobre o que pode ser dito, ouvido, suportado ou recusado, bem como sobre os efeitos éticos e clínicos produzidos quando o social, a cultura e o território são desconsiderados na escuta.
Terceiro encontro – 26 de fevereiro das 19h às 21h
TRANS-CONTRA-INTER(FERÊNCIAS)
Ementa
Este encontro investiga a cena analítica como um campo atravessado por múltiplas forças: a transferência, como endereçamento afetivo do paciente ao analista; a contratransferência, como resposta afetiva e simbólica do analista; e o que o professor chama de interferência, isto é, a presença inevitável do mundo social e cultural no setting. A proposta é discutir como esses atravessamentos incidem sobre o que pode ser dito, ouvido, suportado ou recusado, bem como sobre os efeitos éticos e clínicos produzidos quando o social, a cultura e o território são desconsiderados na escuta.
Quarto encontro – 27 de fevereiro das 19h às 21h
Ementa
Metapsicologia do Auto(cuidado): como agir em direção à vida quando o que se reatualiza é morte?

é psicólogo (CRP07/24435). Psicanalista. Doutor em Psicologia (UFS), com período sanduíche em Psychanalyse et Psychopathologie pela Université de Paris. Mestre em Psicanálise: Clínica e Cultura (UFRGS). Especialista em Problemas do Desenvolvimento da Infância e Adolescência (Lydia Coriat). Autor do livro O Cis no Divã (2021). Organizador da coleção Relações de Gênero e Escutas Clínicas (2023), de Remonta: a escuta clínica da população LGBTTQIAP+ (2022) e do mais recente livro, ISSO não é psicanálise: Tensionamentos em Psicanálise e Relações de Gênero (2024). Atualmente, é Diretor do Instituto de Pesquisa em Psicanálise e Relações de Gênero (IPPERG) e editor da Editora IPPERG.
José Stona
Valores e Inscrições
(mediante envio de atestado de matrícula)
(vagas limitadas)*
(vagas limitadas)*
Para confirmar a sua inscrição, por favor, envie o comprovante de pagamento, junto com seu nome. para o endereço contato@ipperg.com
*destinadas exclusivamente a pessoas trans (travestis, transexuais e transgêneras), pessoas negras (pretas e pardas), pessoas indígenas.

