

SUPERVISÃO CLÍNICA EM PSICANÁLISE
O que é?
Conhecida como um dos pilares da formação psicanalítica, a supervisão é o espaço onde se estabelecem trocas entre supervisor e supervisionando sobre questões referentes aos atendimentos clínicos realizados pelo supervisionando.
É fundamental, no trabalho analítico e clínico, que quem está ocupando a posição de analista esteja envolvido com alguns compromissos éticos e políticos. Em geral, é corriqueiro escutarmos que tais compromissos são compostos por três pilares: análise pessoal, estudos teóricos de psicanálise e supervisão. A partir dos estudos que temos realizado no Instituto de Pesquisa em Psicanálise e Relações de Gênero, acrescentaríamos ainda a importância de o(a)(e) analista estar atento(a)(e) a uma prática analítica livre dos próprios preconceitos e da perpetuação de saberes colonizados.
É necessário articular uma escuta situada no que diz respeito ao reconhecimento dos marcadores sociais daqueles que chegam até nós em busca de análise, assim como situar-se em relação aos marcadores sociais e a si mesmo enquanto analista, levando em consideração os efeitos sociopolíticos do sofrimento nos atendimentos.
Abordagem teórica: Interseccionalizando o debate

A psicanálise é um dispositivo clínico e teórico criado por Sigmund Freud que, através da linguagem, da fala, da capacidade de narrarmos nossa própria história a alguém e de nos equivocarmos à medida que a contamos, faz com que tropecemos justamente naquilo de que buscávamos escapar. De tropeço em tropeço, caímos. E caímos de onde? Ora, da nossa própria fantasia sobre quem somos. Caímos da nossa ilusão narcísica de autoconhecimento. É nessa queda que um trabalho de análise se dá. À medida que contamos nossa história a alguém, somos convocados à implicação, a colocar em xeque aquilo que achávamos saber até o momento em que o dissemos. Por isso, costumamos dizer que, em uma análise, vamos nos desalienando dos sentidos já estabelecidos sobre nós, sobre os outros e sobre tudo aquilo que já tomávamos como sabido e conhecido.É isso que faz com que a psicanálise seja um dispositivo clínico que tende a desestabilizar aquilo que conhecemos e chamamos de norma ou de “normal”.
Se compreendemos que, em uma análise, o que está em jogo é um trabalho de desalienação da linguagem, é impossível pensarmos esse trabalho alheio à compreensão de contextos e lugares de fala. O que é necessário, então, do ponto de vista teórico e prático, ler, estudar, conhecer e investigar, se quisermos ocupar a posição de quem conduz um trabalho clínico?
E, quando pensamos em um espaço de supervisão, o que nos acompanha na realização de uma escuta clínica conjunta na dupla supervisor-supervisionando? Atualmente, os psicanalistas que oferecem supervisão no IPPERG partem da ideia de que, para responder a essas perguntas, é necessário e fundamental interseccionalizar o debate. O que isso significa? Significa que, para além do conhecimento teórico que encontramos na teoria — com diferentes autores e autoras, das mais diversas abordagens que compõem o grande guarda-chuva que chamamos de psicanálise —, precisamos atentar para produções de conhecimento que estão fora dele.
Os estudos que abordam e discutem marcadores sociais como gênero, raça, classe e deficiência tornam-se fundamentais para um acolhimento clínico situado e politicamente implicado. Como muitas das violências são institucionalizadas e estruturais, não escapamos de reproduzi-las apenas por sabermos que elas existem. Assim, o espaço de supervisão ganha mais um motivo para existir: o de oferecer um campo em que nossas reproduções normativas, cristalizadas e estruturais possam emergir — e não ser projetadas naqueles que escutamos.
Modelos de Supervisão
Nossas supervisões são realizadas por meio de três modalidades: individual, em grupo e de projetos de pesquisa (TCC, Mestrado e Doutorado). O valor é combinado diretamente com cada psicanalista.
As supervisões individuais têm duração de em média 50 minutos. O valor é combinado diretamente com cada psicanalista.
As supervisões de projetos de pesquisa deverão envolver a metodologia de pesquisa em psicanálise.
Quero agendar uma supervisão
Por meio do link de pré-cadastro abaixo, você preenche suas informações, e nossa equipe entrará em contato, seguindo a ordem de inscritos. Em seguida, marcamos o dia da triagem (entrevista inicial), com o objetivo de confirmar os dados cadastrais e acolher sua demanda. Posteriormente, encaminharemos para a/o/e orientador(a)(e)/supervisor(a)(e) que irá atendê-lo(a)(e).