
CURSOS LIVRES
Nestes quatro encontros, propõe-se um percurso crítico e clínico que interroga, com a devida seriedade, como se produz uma escuta dita “implicada”, “situada” e “advertida”, expressões que circulam com notável desenvoltura no vocabulário psicanalítico contemporâneo e que, por vezes, são manuseadas de forma banal, sob o manto de uma suposta neutralidade ética. Em muitos casos, “implicado”, “situado” e “advertido” funcionam menos como posição ética e mais como disfarce retórico: um recurso para vestir a clínica com aparência de desconstruída, enquanto se mantém intacta a estrutura de moralização e patologização.
Pode um psicanalista ser contra a diversidade? Essa pergunta, aparentemente paradoxal, atravessa de modo incisivo a clínica contemporânea. Em nome de uma suposta neutralidade técnica, de uma fidelidade abstrata à teoria ou de uma leitura despolitizada do inconsciente, práticas clínicas seguem, não raramente, reproduzindo violências simbólicas, silenciamentos e exclusões dirigidas, especialmente, a corpos, modos de vida e experiências historicamente subalternizados.
José Stona: Psicólogo (CRP07/24435). Psicanalista. Doutor em Psicologia no Programa de Pós-Graduação em Psicologia (UFS) na linha de Pesquisa de Psicanálise e Cultura Contemporânea (Bolsa CAPES) com período sanduíche de doutorando em Psychanalyse et Psychopathologie pela Université de Paris (Bolsa CAPES-PDSE). Mestre em Psicanálise: Clínica e Cultura (UFRGS). Especialista em Problemas do Desenvolvimento da Infância e Adolescência (Lydia Coriat). Coautor do livro “O Cis no Divã” (2021). Organizador dos livros “Relações de Gênero e Escutas Clínicas” (2021), “Remonta: a escuta clínica da população LGBTTQIAP+” (2022) e “Relações de Gênero e Escutas Clínica vol. 2”. Coordenador da Pós-Graduação em Psicanálise e Relações de Gênero: Ética, Clínica e Política (FAUSP/IPPERG) e da Pós-Graduação em Atendimento Clínico das Diversidades Sexuais e de Gênero (FAUSP/IPPERG).

Karen Horney: psicanálise e feminismos entre a destruição e o devir
Turma 3
Por Larissa Ramos da Silva
Karen Horney foi uma pioneira da psicanálise que, embora pouco estudada no Brasil, produziu importantes críticas consideradas feministas ainda na década de 1920, abrindo o campo de diálogos/embates/divergências/entrelaçamentos entre psicanálise e feminismos. Você já ouviu falar dela na sua formação? Quais as contribuições da autora para uma escuta clínica psicanalítica feminista? Quais os principais conceitos produzidos pela autora? Qual a sua relevância para o nosso tempo? Tudo isso e muito mais! Vem com a gente.
Karen Horney foi uma pioneira da psicanálise que, embora pouco estudada no Brasil, produziu importantes críticas consideradas feministas ainda na década de 1920, abrindo o campo de diálogos/ embates/ divergências/ entrelaçamentos entre psicanálise e feminismos.
Neste curso, teremos como objetivo conhecer essa autora e suas principais contribuições para as articulações entre psicanálise e feminismos, colocando sua produção em diálogo com discussões contemporâneas. A partir disso, poderemos não apenas ressignificar a história da psicanálise, tal como nos é contada tradicionalmente, mas também resgatar contribuições importantes para a teoria e a clínica hoje.
Larissa Ramos da silva é psicóloga. Mestra em psicanálise: clínica e cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atua clinicamente em consultório particular e pesquisa nas interlocuções entre psicanálise, estudos de gênero e feminismos.

Pretendemos aprofundar a discussão sobre o lugar das identidades na teoria e na clínica psicanalítica, tomando como ponto de partida o debate contemporâneo e os enfrentamentos entre a psicanálise e os movimentos identitários, sobretudo aqueles organizados em torno de gênero e raça. Para tanto partiremos de uma breve cartografia crítica desse debate para em seguida propor a noção de racionalidade identitária, modo de pensar que, a partir da modernidade ordena a relação consigo mesmo e com o outro, sustentando a identidade tanto como forma hegemônica da experiência subjetiva quanto como elemento central da luta política contemporânea. É a partir da consideração dessa racionalidade que recolocaremos a discussão sobre o lugar das identidades na teoria e na clínica psicanalíticas
A identidade se apresenta hoje como elemento central da luta política e também como forma hegemônica de autoenunciação e de afirmação de si. Diante disso, o movimento psicanalítico parece oscilar entre: de um lado, a negação do seu valor como categoria de análise ou mesmo como ferramenta estratégica na relação com o outro, desqualificando assim os ditos movimentos identitários, frequentemente associados ao neoliberalismo e a um individualismo radical que negaria o pacto coletivo; e, do outro lado, a adesão quase incondicional ao uso da identidade como função psicológica indispensável ao bem estar individual. Nos posicionando neste debate, procuraremos explorar formas de lidar com a afirmação das identidades na clínica psicanalítica contemporânea, sem reduzir nossa compreensão da experiência subjetiva à dimensão identitária nem, por outro lado, negar sua importância central na experiência contemporânea, em particular na articulação entre os processos de estruturação subjetiva e a realidade social e política.
Eduardo Leal Cunha é Baiano de Salvador, 58 anos, é psicólogo formado pela Universidade Federal da Bahia, com Mestrado em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutorado em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Desde 2005 na Universidade Federal de Sergipe, é atualmente Professor Titular, tendo sido Chefe do Departamento de Psicologia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Realizou Estágio Doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Universidade de São Paulo e na Universidade de Paris - Cité, na qual integra, desde 2016, o quadro de Pesquisadores Associados, vinculado ao Centro de Pesquisas Psicanálise, Medicina e Sociedade. Foi professor visitante da Universidad Los Andes, Colômbia, e da Universidade de Paris VII - Diderot. Atuou, ainda, como Professor Convidado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da UFRJ e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo. É membro da Rede Interamericana de Pesquisas em Psicanálise e Política e do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos. É autor de: O que aprender com as transidentidades: psicanálise, gênero e política (Criação Humana 2021); O político e o íntimo: subjetivação e política, do impeachment à pandemia (Devires, 2021); Indivíduo singular plural: a identidade em questão. (7Letras, 2009) e O adultério em dez lições (Planeta, 2004), além da ficção Humedad (Bogotá, La Jaula, 2017). Como organizador, é corresponsável, dentre outras, pelas coletâneas: Psicanálise, gênero, fronteiras (Devires, 2024); A vida depois das mortes: elaborações psicanalíticas da pandemia (Devires, 2023); Faces contemporâneas da razão (Concern, 2018) e A fabricação do Humano (Zagodoni, 2014), esta última vencedora de um Prêmio Jabuti.




